Minha infância Autista - O Brinquedo que não fazia Mágica de Verdade.

Minha infância Autista - O Brinquedo que não fazia Mágica de Verdade.

Acho que eu sempre quis ser uma alquimista, também fui sempre muito inocente e acreditei em tudo. Isso foi bom e ruim.

Autista tem isso, de entender as coisas de forma mais literal. Além, de não conseguir mentir facilmente, ou perceber mentiras. Chamam de rigidez cognitiva. (Que nome meio feio. Eu penso bem fora da caixa pra ter isso, mas é esse o nome que deram.) Tenho muita história de infância engraçada por conta dessa tal rigidez. Um sentimento que me marcou muito, foi o sonho de ter o brinquedo "Show de Mágicas do Gugu".


O dia que meu Mundo Mágico caiu

Eu queria muito ser uma mágica. Afinal, quem não gostaria? O que aconteceu, é que quando finalmente ganhei meu incrível Kit de Mágicas, descobri que era pra fazer mágica de mentirinha. Juro, que essa triste possibilidade, nunca tinha passado pela minha cabeça de criança. Até hoje não sei se foi o TDAH que não me deixou entender a propaganda, ou se ela foi feita pra confundir. Fiquei extremamente decepcionada e indignada. Muito braba mesmo. A ponto, de me recusar a brincar com o brinquedo. Achei um absurdo, uma propaganda mentirosa! Pura enganação, e um desrespeito com as crianças!

Hoje em dia, lembro disso e dou risada com a minha mãe. Mas sei bem, que na época a coisa foi muito séria e frustrante pra mim. Até sumiram com o brinquedo da minha frente. Foi a única magica que ele fez bem feita. Eu acreditava, que as pessoas falavam a verdade e que o mundo era mágico. Naquele momento, meu unicórnio colorido se espatifou no chão. Me dei conta, em que tipo de planeta eu tinha me metido.


Um Mundo Fora de Lógica

Eu nunca entendi porque as crianças tinham que ser tratadas diferentes dos adultos. Nem porque tínhamos que obedecer a eles. Porque um adulto podia mentir a uma criança, até para vender um brinquedo. Só que se a gente mentisse, Deus me livre! Era feio e ficava de castigo.

Hora e outra, minha mãe me colocava de castigo, sem poder ver meus desenhos. Então, eu ia lá e desligava a televisão dela também. Mandava a minha mãe ficar de castigo junto, porque não entendia qual era a nossa diferença. Aprendi com os adultos, que quem falava a verdade não merecia castigo. Mas, na prática a vida não era bem assim. Tudo isso, me dava um nó no cérebro.

Tamanha revolta, cheguei uma vez a fazer minha trouxinha pra ir embora. Disse: vou embora dessa casa, quero ser moradora de rua! Só que quando minha mãe perguntou quem ia cuidar de mim, eu me dei conta da bobagem que estava fazendo. Aí eu pedi pra ela ir junto comigo pra me cuidar. Era uma relação de extremo amor e um tantinho de raiva, por não entender a bagunça das regras desse mundo.

Minha mãe tentou me por na creche, porque não dava certo eu ficar na locadora do meu pai. Ela me ensinou que criança não podia mexer nas fitas de filme. Então, eu queria ser a guardiã do lugar, e dava tapinhas nas mãos das crianças que tocassem nos filmes. Mas não rolou a creche, eu ficava apavorada longe da minha mãe.


O Meltdown Incompreendido.

Eu não entendia também, porque os adultos podiam me tratar que nem idiota e ficar debochando da minha cara. Pra mim, aquilo era uma tremenda falta de respeito. Então, quando eu estava em crise sensorial e vinham mexer comigo, eu gritava furiosa. Hoje sei que era um Meltdown.

Eu fui me adaptando a um mundo de mentirinhas e injustiças. Fui engolindo os meus Meltdowns. Acho que toda essa indignação, me fez atrair um umbral na minha vida. Cresci me sentindo inconveniente, injustiçada e por aí vai... Como minha mente é mais acelerada e criativa que a dos neurotípicos, eu criei muita bagunça mesmo. Tudo a minha volta começou a me provar que esse mundo não era legal.


Rigidez Cognitiva - Bendita ou Maldita?

Só que lá no fundinho, eu sabia que tinha algo errado. Que Deus não faria nada mal feito. Porque, sempre soube que ele era amor, que era a vida e a natureza. Tentaram fazer eu pensar, que um mundo mágico era fantasia. Que merecemos tratamentos diferentes, e que Deus estava fora de mim. Só que minha rigidez cognitiva, não deixou isso me possuir por inteiro. Cheguei a ficar anestesiada, mas acho que nunca dormi completamente.

Agora eu voltei, despertei e posso respirar de novo! Sei que não sou obrigada a me encaixar na caixinha dos neurotípicos. Para mim, essa caixinha era extremamente sem sentido e sufocante. Fico muito triste por conta da minha idade, mas ao mesmo tempo muito grata. Agora sinto de novo, Deus bem aqui, no meu coração. Ninguém vai mais me fazer acreditar, que não mereço o amor dele e uma vida mágica. Reencontrei minha alma. Agora, eu e minha Centelha Divina trabalhamos juntas. Vamos criar a vida alegre que sempre mereci.


Nossa Verdadeira Natureza

Todos nós, merecemos aquilo que já nasceu conosco. A nossa natureza é a verdade, a justiça, o respeito, e tudo mais que amor incondicional pode construir. Merecemos acima de tudo, a liberdade para criar um mundo mágico, onde tudo isso é real.

Não permita, que o mundo acabe com os seus sonhos de infância. Não deixe, o ego criar provas das mentiras que os humanos contam. Deus é a verdade, a justiça e o respeito. Ele é a igualdade, a liberdade e o amor. Você pode criar coisas incríveis junto com ele.

Vamos voltar para casa? Eu estou te convidando. EU SOU você. EU te amo!



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