Minha Traiçoeira Máscara Social - O Peso do Masking no Autismo e TDAH.

Minha luta foi do tamanho da minha atuação. Usei a vida inteira, uma traiçoeira e convincente máscara de neurotípica. Convincente até pra mim! O suporte que não tive, foi conquistado com grande esforço. Um esforço inconsciente tão cansativo, para um mascaramento digno de Oscar. Tudo isso pra ganhar críticas! Críticas da sociedade e de mim mesma. Afinal, apoio pra quê? Se podemos nos mover com motivação. "Todo mundo faz, todo mundo aguenta... Todo mundo consegue!" E lá vai eu tentar ser todo mundo, fazendo masking sem saber e carregando minha mochila de chumbo invisível.

Até que consegui ir longe, pra quem precisou fazer as coisas com muito mais esforço. Pensava que todos tinham a mesma dificuldade que eu. O medo de andar sozinha na rua, a dificuldade de decorar caminhos, rostos, nomes e direções. O incômodo com milhares de sons e sensações. A atenção dividida, entre aquele turbilhão de sentimentos e os acelerados pensamentos sobrepostos. A ansiedade e o medo, de não perceber tudo que era preciso. De não ler nas entrelinhas, de não ser antenada, ágil, comunicativa, simpática. Tudo normal, coisa que todo mundo faz.

Só que olha que legal, quem é autista não aprende a captar as nuances sociais instintivamente. Vivemos cada experiência praticamente como se fosse a primeira vez. Como resultado, gastamos o dobro de energia. Se a gente se sair bem no disfarce da normalidade, ficamos um "pouquinho" exaustos, mas ganhamos o prêmio da falta de suporte. Meu nível de suporte ainda está em avaliação. Pode ser nível um, ou até dois. Mas eu fui muito bem na atuação e consegui sobreviver sem ele. Fui escondendo as minhas confusões, os medos, os erros, as dúvidas, o cansaço. Fui me culpando, me envergonhando, me medindo com a medida dos típicos. E aqui cheguei.

(Oi! É a Camilla do futuro aqui! Vim pra contar que meu TEA é nível 2 de suporte. Tive consulta esses dias e confirmei com a minha psiquiatra. Pois é, passei por situações perigosas que eu nem devia ter passado. Como por exemplo, me perder na rua e pegar carona com estranhos. Acontece que eu escondia, porque ficava com vergonha. Achava que era burra. Não que eu não seja capaz de andar na rua sozinha, mas talvez devesse ter esperado estar mais adulta.)

Pois é, conheci o tal do luto pelo diagnóstico. Lá vai eu, mais uma vez morder a língua nesse blog. Disse que não entendia o luto pelo Autismo. Demorou, mas o luto pela minha criança autista aconteceu. Sou a única que pode ter empatia pela minha versão mais nova. Pela menina com medo, perdida e com vergonha de ser quem era. Só eu sei o que ela passou sozinha na rua, e o medo que sentiu de falhar.

Queria poder abraçar a Camilla do passado, e contar o quanto foi forte e corajosa. Falar que ela conseguiu o impossível. Sobreviveu, como nenhum peixe fora da água sobreviveria. Foi longe, carregando tanto peso invisível. Mas não sei se conseguiria dar parabéns, apenas diria que sinto muito. Sinto por te fazer lutar uma luta injusta. Eu entendo todo o esforço que você fez. Te aceito como é de verdade. Te amo e sou grata por me trazer até aqui. Agora vai ficar tudo bem.

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